LITERATURA COMO ENTRETENIMENTO

Livro

A última onda do mercado de livros é o fenômeno chamado Chick Lit. Para quem não sabe, é um segmento da literatura produzido especificamente para mulheres adultas.

Numa busca no Google, surgirão diversas definições, de “Literatura de Mulherzinha” até “Literatura da Mulher Moderna” passando pela mais infame: “Pornô para Mamães”. Que se alastrou depois do maior sucesso do gênero, a trilogia “Cinquenta Tons de Cinza” de E. L. James.

A nova sensação do segmento é Sasha Grey, ex-atriz pornô, que lançou “Juliette Society”, que segundo algumas resenhas faz os Cinquentas Tons parecerem contos de fadas. O mais bacana é que quem leu, diz que não é somente uma história de sacanagem para mulheres.

Não nos interessa aqui avaliar a qualidade dos títulos (até porque isso é relativo), não li nenhum e por consequência não posso opinar. Mas por estar profundamente envolvido na indústria literária, vejo esse movimento de forma bastante positiva.

É muito comum o meio “intelectual”, entre aspas mesmo, torcer o nariz para a literatura de entretenimento, ouço e leio muitos colegas (ouso a me identificar como tal) criticarem determinados autores pelo simples fato deles fazerem sucesso. Muitas vezes com um simples “não li e não gostei.”.

Sou da vertente que acha que a literatura não tem que ser somente para impactar, criar novos paradigmas ou ser “cabeça”. Sou a favor, também, de uma literatura de entretenimento, de preferencia brasileira, sem vergonha de se identificar como tal.

O nosso mercado é invadido por best-sellers estrangeiros porque eles não têm vergonha de escrever entretenimento. Desde o inicio do século passado valorizam os seus autores populares e transformaram isso num negócio valioso, que alimenta indústrias milionárias que se reinventam incessantemente, a ponto de não se saber onde começa uma e acaba a outra. É livro virando filme, game virando livro, HQ que vira livro, que vira série, que vira filme; enfim, uma simbiose a favor do entretenimento.

Aqui a desculpa mais utilizada para a não valorização do autor nacional é que o brasileiro não lê. Será?
É uma incoerência. Abro um parêntese para citar um artigo do DANILO VENTICINQUE na Revista Época que trata deste assunto (link), que entre outros números, mostra que o mercado nacional de literatura é o nono do mundo com um faturamento de R$ 6,2 bilhões/ano.

Nas listas dos mais vendidos pipocam os Dan Browns e os Paulo Coelhos da vida, mas a influencia do establishment “intelectual” não deixa o leitor médio assumir que lê para se divertir, fazendo-os esconder os best-sellers na estante por vergonha, e o pior, às vezes fazendo-os mentir que está lendo os grandes clássicos baseado apenas na orelha do livro ou nas resenhas que viu no Google.

Felizmente isso está ficando no passado. Movimentos literários populares estão tornando os livros mais acessíveis e a nova geração está cada vez mais segura quanto as suas preferências.

Um fator a se destacar é quantidade crescente de novos autores nacionais, que através das redes sociais, blogs e da auto-publicação se lançam no mercado, se aventurando na Fantasia, Ficção Cientifica, Terror, Policial, etc. e o melhor, despontando no mercado tradicional com personagens que é a nossa cara, falando em português e ambientando as tramas no nosso país.

Participei há pouco tempo da Semana do Livro Nacional aqui em Campo Grande, junto com outros jovens autores locais, foi uma experiência fascinante, tive contato com pessoas que escrevem por prazer e passam isso nas suas histórias. A tecnologia está modificando o mercado, a internet possibilita o escritor encontrar o seu leitor sem atravessador.

O brasileiro está escrevendo e lendo como nunca. Estamos perdendo a vergonha de mostrar os nossos livros e deixando de lado o ranço de que ler para se divertir é um pecado.

Alias pecado combina com o Chick Lit.

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